quarta-feira, 27 de abril de 2011


HIDROXIDO DE SÓDIO

Uma analise




A mais potente base alisante doma até fios muito indisciplinados. Em contrapartida, exige experiência dos profissionais e vários cuidados.




Entre os agentes alisantes, o hidróxido de sódio é um dos mais intensos. Por isso, ele é muito aplicado no cabelo afro.  O ativo é indicado para soltar os cachos e reduzir o volume dos fios armados. Sua força se deve a um potencial de oxidação maior do que o da guanidina e o do tioglicolato de amônio, por exemplo. Isso acontece porque tem pH alto, que expande a estrutura do fio, abrindo as cutículas. E também porque suas moléculas são muito pequenas e penetram com maior facilidade na fibra capilar. Ou seja, alisa mais rápido.



Em ação

Assim como todas as bases, o hidróxido de sódio age no córtex, onde quebra as ligações de cistina – um dos 18 aminoácidos que formam a fibra capilar. Além de ter uma penetração rápida na fibra, o hidróxido de sódio justifica sua agressividade com o alto poder de quebrar as ligações de cistina. Nesse quesito, ele só perde para o hidróxido de lítio, substância altamente reativa. Quando comparado com a guanidina ou o tioglicolato de amônio, e na mesma concentração, o sódio quebra um número maior de ligações, em menor tempo. Mas, apesar da rapidez oferecida, para receber o sódio o cabelo deve ser resistente e o profissional, ter habilidade em trabalhar com o produto. É que, além de favorecer a perda de proteínas, ele resseca mais que as demais bases, pois captura a água da fibra. Com cabelo fragilizado não combina com hidróxido de sódio e com nenhum outro processo químico, é importante orientar a cliente a tratar os fios antes que eles recebam esse agente. Hidratações e reposição de queratina são de grande ajuda para recuperar a força. Os tratamentos devem se estender até que as madeixas tenham condições para suportar o alisamento.







Procedimento seguro

Por se tratar de uma substância agressiva, o hidróxido de sódio pode provocar, além de ressecamento e quebra dos fios, lesões no couro cabeludo. “Os cuidados incluem: aplicar o produto respeitando a distância de pelo menos 0,5 cm do couro cabeludo; não usar calor para acelerar a ação da química; não abusar das aplicações, restringindo-as a, no máximo, quatro vezes por ano; lavar sempre os fios após o procedimento com neutralizante ácido. Quanto ao teste de mecha,  avaliar diversas áreas do cabelo, como a nuca, a região próxima às orelhas e o topo. É apenas mais um item de segurança, pois cada zona pode reagir de maneira diferente em contato com o ativo. Infelizmente, nunca está descartado o risco de quebra. Por isso, precisamos nos cercar do maior número possível de precauções. Além disso, vale ter em mente que cabelo alisado com tioglicolato de amônio não deve receber hidróxidos, pois as substâncias são incompatíveis. Já a troca entre os hidróxidos pode acontecer desde que o teste de mecha dê segurança e que haja uma boa distância entre a parte alisada e a que receberá o sódio.



Pode colorir?

 Luzes, mechas e reflexos não devem ser realizados em madeixas trabalhadas com hidróxido de sódio. O oxidante potencializa o processo de agressão e o dano do fio (perda de brilho, ressecamento, abertura de cutículas e afinamento da fibra). A resistência fica comprometida, podendo ocorrer quebra. Aliás, um cuidado indispensável antes do alisamento é perguntar à cliente se ela já clareou alguma vez. Afinal, sob uma coloração escura pode estar uma fibra capilar que já tenha passado por descoloração. O ideal é usar tonalizante sem amônia, para não interferir ainda mais no córtex. Se a cliente insistir em passar tintura permanente e o teste de mecha permitir, é importante que ela saiba que a amônia pode intensificar todas as agressões citadas. Ou seja, ela vai ter muito trabalho com a manutenção. O profissional também deve optar por oxidante de até 20 volumes. A oxidação menor minimiza os estragos. E, quanto ao intervalo entre alisamento e coloração, o correto, é que os dois procedimentos não sejam feitos no mesmo dia, mas com uma distância de dois meses entre um e outro. A sobreposição de químicas sobrecarrega a fibra, deixando-a fina, quebradiça, sem brilho e elasticidade e difícil de pentear. De qualquer forma, esse intervalo varia conforme o fabricante dos produtos. Por isso, mais uma vez vale destacar a importância de ler a bula e seguir atentamente suas orientações. No caso de empresas que afirmam a possibilidade de realizar as duas técnicas no mesmo dia, uma sugestão é pedir às marcas testes comprobatórios para maior segurança.


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